DESPEDIDA ou TEXTO DE SEGUNDA (da série, TEXTOS DE SEGUNDA)
Hoje sentei para escrever uma despedida. Uma despedida no estilo: Minha rotina mudou um bocado nos últimos meses de uma forma que afeta diretamente o hobby que eu tinha de escrever. Por isto, hoje, dia tanto de tanto de dois mil e tanto, morre o Coisitas. Obrigado a todos, etc, etc.
A verdade é que não será assim, pois:
1. Twitter é um saco. Não dá para ser minimamente interessante com tão poucas palavras; 2. Sou saudosista com meus posts. Narcisismo ou não, fiquei com dó de abandonar isto aqui;
O primeiro post mesmo data de 11.02.2006, ou seja, faz tempo pra burro. Este em específico, foi inspirado em muitas coisas, como numa frase de um livro da Fernanda Young (que neste mês, nov/2009, sai na Playboy!) e de uma frase que ouvi de uma pessoa especial na época (e ainda mais especial atualmente) que “Não sabia beijar”. Pois é, tudo é vaidade e o vento passa.
Para os que me conhecem, sabem que não sou muito bom de conversa. Nunca fui o centro das atenções de nenhuma roda e sou mais calado que a maioria dos meus amigos. Fisicamente, aparento ser mais novo do que realmente sou, o que me dá um ar de inexperiência, além disso, sou tão magro que pareço malnutrido para a maioria das pessoas, não importa o quanto eu coma.
Apesar deste meu hobby nunca ter feito eu comer ninguém, acho que vale a pena voltar a escrever. Semana que vem pode ser um bom retorno, já que completarei metade de meio século.
Estava, puro e simplesmente, com saudades disso aqui.
Eduardo é engenheiro e vê o mundo a partir do Rio de Janeiro
“Rio de Janeiro, uma cidade de pernas abertas” ou “A democracia da Playboy”, fiquei em dúvida entre estes dois títulos, dois assuntos. Como há tempos que não posto nada, escreverei sobre ambos:
1. Rio de Janeiro, uma cidade de pernas abertas: A impressão é que tudo no Rio é indecentemente exposto. Não falo de bundas, ou só de bundas, falo da desigualdade social monstruosa, do Leblon e da favela do Vidigal lado-a-lado, da violência, do descaso, da vontade de se dar bem a todo custo, do Cristo de braços abertos para a zona Sul e de costas para a zona Norte, do sentimento de oba-oba e da crença que o Brasil não tem mais jeito. O eterno carnaval carioca estaria no inconsciente do planeta, pois o Rio de Janeiro é a cidade mais feliz do mundo, segundo ranking da “Forbes”. É uma cidade bela, isto é inegável, mas muito judiada. O Rio é um filho adolescente rebelde, que de tão drogado já anda desacreditado pela família. Mas há clínicas por aí.
2. A democracia da Playboy: O Brasil é um país machista. Ponto. É o país do futebol, do suor, da cerveja, do pau-brasil, do bumba-meu-boi, da zona, do oba-oba e do que mais de fálico você possa imaginar. A playboy é um caso a parte. No Brasil esta revista tem um status e um fascínio que não tem em nenhum outro lugar. Nem a original, a playboy americana, é assim. Nos EUA as coelhinhas são, em sua esmagadora maioria, atrizes ou cheerleadears. Nos outros países segue a mesma lógica. No Brasil, não. Aqui, Playboy é o carimbo do sucesso. É como se a mulher brasileira tivesse que ter coragem, competência e bunda. Fez reality-show? Playboy! Faz novela? Playboy! É bandeirinha? Playboy! Nome de fruta? Playboy! Cantora? Playboy! Escândalo político? Playboy! E por aí vai... A explicação? Não sei. Só sei que nossas mulheres mais influentes não tem maiores problemas para satisfazer o voyeurismo destes doces bárbaros machistas. Talvez seja vaidade.
"Estou me lixando para a opinião pública. Até porque a opinião publica não acredita no que vocês escrevem. Nós nos reelegemos mesmo assim"
Sérgio Moraes - Deputado federal (PTB-RS) relator no Conselho de Ética da Câmara.
O pior é que é verdade, eles se reelegem mesmo assim.
P.S.: Sérgio é acusado de lenocínio (crime contra os costumes), receptação de jóias roubadas, favorecimento de prostituição em uma boate pertencente a ele e sua mulher.
Primeiramente, só para deixar claro, MSN é igual Cotonete, Maizena... Metonímia de uma marca pela categoria. Skype, Meebo, Google Talk, esses programas de bate-papo são todos MSN.
Agora sim, começo:
Fidelidade no MSN é mais difícil que na balada, pois pipocam as janelas com “ois” inocentes e “quanto tempo”s sem pretensões. E todos se sentem muito gostosos no MSN. Explico: na vida não-virtual, essa que o pessoal ainda sai à caça noturna, as comparações são diretas: cheiros, roupas, dinheiro, tamanhos e atitudes. Quase invariavelmente, as cartas do mesmo naipe vão se casando na mesa de jogo da boate. No MSN não. Não se sabe quem, o que, nem como o concorrente age ou escreve. Nunca irá saber se para fisgar a atenção você deve gastar sua melhor piada ou sua cantada mais sacana. É freestyle total, queda livre de emoções. Haverá as pensativas e tristes, curtindo sua petite mort, e as animadas com seus emoticons piscando. Todas ali na mesma tela, uma sem ver a outra. O que dá para concluir que no campo de mentiras que é a vida, o MSN é uma das mais sinceras.
Tempos modernos
1. Estar online é o novo Querida, cheguei. 2. Conversa em grupo é o novo swing. 3. Se câmera estiver ligada, não olhe para as outras. Outras janelas.
Para entender definitivamente a alma das mulheres basta decifrar a canção abaixo:
"Decanta em cada canto Um instante De dentro do segundo Seguinte Que só por um momento Será Antes E a montanha insiste em ficar lá Parada A montanha insiste em ficar lá Para lá"
Para lá - Adriana Calcanhotto
Claríssimo, né não?
P.S.: Qual a sua "letra claríssima" favorita? Não vale Djavan, este é hours-concours.
Sim, uma Carta ao Pai, um tanto quanto menos melancólica do que aquela famosa do Kafka.
Infelizmente, não posso estar pessoalmente para lhe conceder os parabéns e te abraçar. Porém, nestes tempos contemporâneos, palavras digitais chegam facilmente aí no Alabama como você pode constatar.
Ainda estou em dúvida se coloco os assuntos em ordem cronológica ou de importância. No fim, decidi por não usar nenhuma ordem e escrever à deriva.
Finalmente vou me mudar. Como você bem sabe, desde minha formatura, há mais de um mês e lá vai fumaça estou perambulando entre um albergue em botafogo, um colchão inflável na casa de um amigo e um sofá da sala de outro.
Mas agora vou me mudar. Para um apartamento considerado bom que vou dividir com um amigo. O condomínio tem toda a infra-estrutura que o nosso tempo moderno julga essencial: hall de entrada, academia, salão de jogos, salão gourmet e segurança. Da sacada dá para ver a discrepância do Rio, pois tem uma vista para a piscina do prédio, belíssima, com um morro ao fundo, não tão belo assim. No morro há pequenas casas que juntas formam uma favela qualquer no horizonte.
As plantas são artificiais, a cascata é artificial... Espero que minha felicidade lá, não seja.
Esta mudança é o que tem me ocupado mais o tempo, tirando o trabalho, obviamente. Aliás, este está indo de vento em polpa (pegou o trocadilho? ã? ã?).
Assim que me mudar, poderei fazer um planejamento melhor do meu futuro em curto prazo: nos 30 meses de contrato que virão, tenho que voltar a fazer francês (útil para o trabalho e para mim, pois estudar línguas é muito bom); fazer o TOEFL (inglês); entrar numa academia ou algum esporte; planejar uma pós (mestrado técnico em energia eólica ou MBA em gerenciamento de projetos); música; viagens;
Sobre as viagens, já vou começar a juntar, pois nas minhas primeiras férias vou te visitar. O que deve acontecer depois de março/2010. Agora parece longe, mas logo chega.
Agora no passado: - Eu com 9 anos, nas nossas férias em Natal-RN. Viajamos de noite, e como bom goiano ainda não tinha visto o mar. De manhã indo para a praia, adormeci dentro da rural do Loro, ex-marido da minha tia Almira. Devo ter ficado a manhã toda lá, dormindo o sono das crianças. Lembro que acordei e estava trancado no carro. Olhei para um lado, olhei para o outro e, de repente, antes de eu começar a me desesperar você apareceu e abriu a porta. Perguntei como você sabia que eu tinha acordado, afinal a barraca não estava tão perto do carro assim. Aí você me disse que tinha “sentido” que eu tinha acordado. Amor paternal deve ter dessas coisas, não é?
Este acontecido é uma das lembranças mais fortes que tenho da gente como família, não sei se já tinha te dito isto. Mesmo porque você bem sabe, depois dessa viagem, veio o divórcio e aquela coisa toda... e a partir daí a família ficou meio zoneada.
Vi hoje o primeiro jogo da final do carioca. Infelizmente, seu time verde-e-grená não está presente, mas pode deixar que estou aqui secando o mengo.
Tirei o dia para ler também, há tempos que não fazia isto. Estou lendo Leite Derramado, do Chico. Ä primeira vista, não está no nível de Budapeste (que é do caralho), mas talvez me surpreenda com o desfecho.
Estou devendo te mandar livros, né? Logo pagarei.
Ah, isto eu acho que já tinha escrito: Uma dedicatória sua, num livro do Veríssimo (Sexo na Cabeça) a qual sempre recorro: “- Filho, na vida, faça tudo o que lhe der prazer!!!”. Bem, juro que estou seguindo à risca. O problema é que, às vezes, elas não concordam.
Feliz aniversário. Por enquanto, fica só esta carta como presente. Postada aqui no blog, para tornar público aos meus milhões de leitores todo o amor e orgulho que tenho de você.
Atenciosamente,
Eduardo Dias (vulgo seu filho).
P.S.: Continuamos sempre conectados, mesmo você não “sentindo” mais quando eu acordo ou adormeço.
Ela desistiu. Nao foi um simples pedido de saida ou demissao. Ela desistiu de estar ali. Havia se mudado para a cidade maravilhosa para trabalhar sim, mas tambem para morar com o namorado. Ruiu um tijolo e o muro veio abaixo. Eh estranho ver uma pessoa parar a carreira por um coracao partido. Estranho sim, mas deve ser ate bem frequente. Eh soh um namoro, dirao alguns. Fique calma, dirao outros. A verdade eh que para a angustia e solidao mometaneas nao havia nem cargo nem salario que amenizasse. Uma ansiedade que nem mil cigarros aplacariam.
Aposto que ela mesmo sabe, que pela beleza e simpatia, outros romeus virao. Porem, no momento, perspectivas futuras nao interessam. Preferiu decidir no olho da tempestade ao inves de deixar a mare baixar. No mundo que conheco, acoes assim sao ate compreendidas mas nao sao bem toleradas.
Vai deixar o exilio e voltar a terra natal. Podia ter ficado, teve propostas, mas a Lola preferiu correr. Nao se sabe bem, em busca de que.
C'est la vie, ma cherie. Bonne chance. <Eh a vida, minha querida. Boa sorte.>